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ISEL cardioprotegido para marcar diferença entre vida e morte

ISEL cardioprotegido para marcar diferença entre vida e morte

Notícia escrita em 12/12/2019

 

Desde o início de dezembro de 2019 que o ISEL conta com três desfibrilhadores nas suas instalações, o que lhe confere o estatuto de uma das primeiras instituições cardioprotegidas em Portugal. Os aparelhos, que devem ser utilizados em caso de paragem cardiorrespiratória em conjugação com a formação em Suporte Básico de Vida (SBV), estão colocados nos edifícios C e P, assim como na Residência de Estudantes Maria Beatriz.

Este é o resultado de uma parceria estreita entre o Politécnico de Lisboa e a associação-movimento Salvar+Vidas, que tem como vice-presidente Inês Boavida, 21 anos e estudante do 3.º ano do curso de Engenharia Informática e de Computadores do ISEL. A Cruz Vermelha Portuguesa, que apoia a Salvar+Vidas, é o terceiro parceiro envolvido neste projeto.

“Na altura em que éramos ainda um movimento cívico vim falar com o presidente do ISEL, que desde logo apoiou a instalação dos três desfibrilhadores”, explica Inês Boavida. “É um grande marco, pois somos agora pioneiros nesta temática, podemos intitular-nos ‘cardioprotegidos’ e referência para outras instituições e espaços de ensino, o que me deixa muito orgulhosa por fazer parte do ISEL, o presidente quis ouvir os alunos e fazer a diferença”, acrescenta.

De acordo com números do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) referentes a agosto último, apenas 129 dos 5909 estabelecimentos de ensino existentes em Portugal (2,1 por cento) possuíam um Desfibrilhador Automático Externo (DAE).

Em julho passado a Salvar+Vidas entregou na Assembleia da República uma petição com 7200 subscritores que foi aprovada por unanimidade por todas as forças políticas. Segundo Inês Boavida, o documento consiste em três grandes propostas: “Sensibilizar a população para este problema e massificar os desfibrilhadores”; “Lecionar o ensino do SBV para que nenhum aluno saia do 12.º ano sem ter estas competências”; e “Todas as profissões-chave como profissionais de saúde, polícias, bombeiros ou pessoas ligadas ao desporto, devem ter competências de SBV e saber utilizar um desfibrilhador”.

De resto, suprir a falta de conhecimento em Portugal nesta matéria é a principal causa da Salvar+Vidas, fundada há três anos pelos familiares do ator José Boavida, que acabaria por falecer vítima de paragem cardiorrespiratória sem socorro imediato. “Esta é a principal causa de morte fora do meio hospitalar e temos em Portugal cerca de três mil desfibrilhadores, enquanto a Holanda tem, por exemplo, aproximadamente 100 mil”, ilustra Inês Boavida. 

“A nossa taxa de sobrevivência é de três por cento, entre o episódio e a chegada ao hospital, enquanto na Holanda é de 30 por cento”, conclui a vice-presidente da associação.