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Palestra - Uma nova forma de ditadura: A metamorfose para o pensamento técnico

Palestra - Uma nova forma de ditadura: A metamorfose para o pensamento técnico

Realiza-se no ISEL, no dia 10 de abril pelas 11h, a palestra "Uma nova forma de ditadura: A metamorfose para o pensamento técnico" que terá como orador Pedro Santa Rosa, Investigador em Filosofia pelo Instituto de investigação e formação avançada da Universidade de Évora.

 

Resumo:

Explora-se criticamente a técnica, a sua evolução para a inteligência artificial e as implicações para a condição humana. É diagnosticado um crescente esvaziamento do pensamento, impulsionado pela dependência de dispositivos tecnológicos e pelo cálculo algorítmico. Três autores são apresentados para dialogar com esta questão: Oswald Spengler, Martin Heidegger e Herbert Marcuse. Para Spengler, a técnica é central para o progresso histórico, culminando na decadência do ocidente. O homem ocidental, o homem fáustico, é movido pela vontade de dominar a natureza. A mecanização do mundo leva a um desencantamento e ao desejo de retornar a um estado primordial de harmonia. 
A tese Heideggeriana sobre a técnica não se resume a instrumentos, como um património do Homo Faber, mas a um poder autónomo, uma "com-posição" que determina a história. Antecipando o sentido trágico para o desfecho do humanismo face a este poder, constata-se que nos tempos que vivemos prevalecem "relações meramente técnicas".  
Herbert Marcuse alerta para a irracionalidade da sociedade industrial avançada, dominada por controlos tecnológicos, incluindo a inteligência artificial. A racionalidade tecnológica torna-se, assim, um veículo de dominação, para uma nova forma de ditadura. Importa, pois, discutir o conceito de pós-humanismo, apresentado como uma possibilidade perigosa, resultante da aliança homem-máquina. Os organismos cibernéticos são apontados como uma tendência. Conclui-se com a necessidade de reconhecer que, ao dispositivo técnico, escapa o impulso salvífico da liberdade e humanidade.